Bi-campeão brasileiro 1959 - 1988 Estádio Roberto Santos - Pituaçú Capacidade - 32.400 lugares Denominações: Tricolor de aço, esquadrão de aço Mascote: Super-homem

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Torcida continua ansiosa em ter a velha Fonte de volta, cheia e linda

Angelo Paz Redação CORREIO

O jogo da sedução continua. Das sete empresas autorizadas pelo governo do estado a apresentar projetos para o futuro da Fonte Nova e área do entorno, seis confirmaram as propostas e aguardam até o próximo dia 30, quando será divulgado o vencedor do 'concurso'. Quem vai conquistar os corações dos técnicos do governo e da torcida?


As informações seguem em sigilo na Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), encarregada da análise e do suposto veredito final.
A novidade é a possibilidade de a vencedora ter que aproveitar as idéias das concorrentes. Nesse caso, os critérios, ainda não apresentados, ficariam por requisição do governo.
Enquanto isso, o CORREIO se mobilizou para descobrir a expectativa de cada um dos participantes. A penas dois foram encontrados para falar sobre o tema.
Única baiana no páreo, a Urplan (Grupo de Planejamento, Urbanismo e Arquitetura da Bahia) foi a primeira contactada.

O arquiteto Carl Van Havenschild, um dos elaboradores do projeto, ressalta que a empresa apresentou a proposta legalmente mais viável. 'Queremos, além de viabilizar um belo equipamento esportivo, possibilitar benefícios sociais para Salvador a longo prazo' destaca, referindo-se, também, à construção de um ginásio aquático e de um shopping center, entre outros.
Havenschild afirma ainda que se os avaliadores priorizarem questões como a história da cidade, a Urplan tem grandes chances de vitória. 'Não vamos agredir o entorno do estádio. Locais tombados como patrimônio histórico, a exemplo do Dique do Tororó e do prédio do Ministério Público, na Avenida Joana Angélica, ficarão intactos', comenta.
Em contrapartida, a Setepla Tecnometal, de São Paulo, se considera a concorrente com propostas mais realistas.
O arquiteto Marc Duwe defende seu peixe. 'Não vamos abaixar o campo para evitar problemas como lençol freático. A idéia é possibilitar ao torcedor mais contato com o gramado', enfatiza.
O projeto apresentado é para um estádio com capacidade de até 55 mil pessoas. O número é inferior aos 60 mil lugares exigidos pela Fifa para sediar uma semifinal da Copa. Sobre o tema, Duwe tem na ponta da língua a solução: 'Deixamos a parte sul do estádio, local de visualização do Dique, aberta para caso a Bahia deseje esses jogos. Se acontecer, construiremos ali os assentos necessários', diz. Ele admite liberar o anel inferior da Fonte para a realização de jogos durante a obra.

A Fonte é nossa!

Quando a Fonte Nova foi construída, já nasceu atrasadinha. Um ano depois da Copa do Mundo de 1950. Resultado: o Recife sediou jogo do Mundial e nós, não.
O sonho de um estádio grande demorou, mas chegou! Salvador já havia se tornado rota obrigatória do futebol, desde a origem do esporte no Brasil. Um dos primeiros fields ficava ali pertinho, no Campoda Pólvora.
Antes da Fonte, Salvador tinha um estadiozinho singelo chamado Campo da Graça. Foi ali o palco de grandes ídolos, como Popó. O Bahia, que nasceu para vencer, o Galícia, Demolidor de Campeões, o Vitória, campeão da técnica e da disciplina, e o Ypiranga, Mais Querido, fizeram os baianos mais felizes. O Estádio Octávio Mangabeira surgiu, assim, majestoso, do tamanho do nosso amor pelo futebol, ainda que homenageasse um político e não um atleta.
Agora, querem mexer com a Fonte Nova. As propostas vão até a absoluta modificação, com a morte súbita do templo, que seria posto abaixo pormeio de moderna técnica de demolição. Mas há quem prefira manter a estrutura original e promover adaptações. Talvez por respeito à rica história do grande estádio, inaugurado em 1951, com Botafogo 1x1 Guarany. O primeiro gol foi de Nélson, do pequeno Botafogo local. O recorde de público é de Bahia 2x1 Fluminense, pela Copa União: 110.438 pessoas. Mas a Fonte teve seus dias de tragédia. Em 1971, num tumulto generalizado, morreram duas pessoas, segundo números oficiais. No dia 25 de novembro doanopasado, foramsete vítimas depois qu
e uma parte da arquibancada desabou.

As propostas Urplan e Tecnosolo querem aproveitar quase toda a estrutura atual da Fonte Nova. A capacidade do estádio fica em cerca de 50 mil lugares, conforme a Urplan, e 75 mil, no projeto da Tecnosolo. A Urplan quer fazer dois ginásios e uma praça pública, além de um museu do esporte.


KPGM planeja reformar a Fonte Nova para usar em programas sociais. Capacidade: 50 mil lugares. Nas proximidades, caberiam ainda um shopping center e um hotel, de acordo com os planos da empresa suíça com atuação no Brasil.
Ponto Z propõe derrubar a Fonte e construir uma arena multiuso no padrão contemporâneo, com alta tecnologia e foco em marketing e negócios. A novíssima Fonte teria capacidade para 60 mil torcedores, conforme projeto divulgado pela empresa Ponto Z.
Setepla pretende derrubar a arquibancada superior e parte da inferior. Objetivo é melhorar a visão do público a partir da construção de um novo lance de arquibancada. Capacidade total: 50 mil torcedores. A Setepla quer fazer um hotel e um centro comercial, além de um novo ginásio para substituir o Balbininho.




Ernst & Young quer levar o estádio para o Parque de Exposições e substituir a Fonte Nova por centro de lazer, com ginásio de esportes olímpicos e local para shows, que hoje Salvador improvisa no antigo Parque Wet'n Wild, na Paralela. Nova Fonte teria cerca de 42 mil lugares. A proposta inclui moderníssimo centro de convenções.

A TORCIDA DECIDE
1 Reforma da Fonte Proposta é manter a estrutura do estádio e utilizar equipamentos de tecnologia de ponta
2 Demolição e fim de papo Idéia é colocar o templo abaixo e construir no mesmo lugar uma Fonte Novíssima
3 Mudança de local Construção da novíssima Fonte em outro lugar, na Paralela
(Reportagem publicada na edição de 25/09/2008 do CORREIO)

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